✖ ✖ ✖ Poetizando ✖ ✖ ✖
I scream but nothing, nothing will come out
“Tô chegando tá. Tô chegando amor. Tô indo, sentado, vendo as montanhas, lembrando que quanto mais você me perde, mais vezes você me ganha. E aquela briga ontem foi foda, eu não queria te dizer que eu não queria ter você, mas eu queria que você soubesse que eu me importo e que eu sinto que essa chuva é o reflexo do estado do meu corpo. E foi pensando nisso que me joguei pra cá, pra ver se quando eu te encontrar eu faço essa chuva parar. Será que isso é possível? Eu sonhador demais, na entranha dor demais e essa estranha dor é mais do que saudade, é como uma necessidade de poder ter a certeza de que não era verdade. O que você disse por telefone, que tava na hora de eu te provar que podia ser seu homem, que o menino que nem pode sustentar um lar, nunca seria bom o suficiente pra tu casar. Foi pensando nisso que eu entrei nesse busão, mas, talvez eu seja só um menino com uma rosa na mão. E eu te ligo no celular te avisando que eu tô indo e te pedindo pra ir lá pra me esperar. Mas você que nunca disse que me ama. Mais uma vez desliga sem dizer, se arruma e vai pra cama. Tudo bem, dorme bem amor, te amo! Quando acordar passa perfume que o seu homem tá chegando.”
Projota. 
“E a vida? Ah vida…pra alguns é como se fosse uma ventania que quase não acaba. Pra outros é como se fosse um breve redemoinho. Pra uns ela não faz nenhum sentido. Pra outros, ela faz sentido por conta própria. Mas isso não importa. Aproveita tua vida enquanto é tempo. Você não sabe o que vem daqui a dois minutos. Poderá morrer nos próximos 5 segundos, ou daqui a 5 dias, talvez daqui a 5 anos. Virar pó. Sumir. Eu não sei e ninguém sabe o que vai haver. Só o autor da sua vida. Então aproveita, enquanto à tempo. Agradeça enquanto à tempo. Viva. Reviva, reconstrua, reame. A vida foi feita pra ser bonita. E vívida.”
Manuscrituras 
Eu me declarei pra você milhares de vezes. Quando eu ri daquela sua piada idiota que não teve a menor graça e quando dei risada das piadas de mau gosto que você fez sobre mim. Lembra? Eu deixei você me zoar porque você achava muita graça naquilo, e se te faz feliz… Bom, me faz feliz. Quando eu deixei os outros um pouquinho de lado pra dar toda a atenção pra você. Quando eu ouvi as músicas que você me mandou, mesmo elas não sendo do meu gosto. Lembra… Quando eu tratava todo mundo mal, mas era super gentil com você? Então. Isso também foi uma declaração, mesmo que silenciosa. Quando eu aguentei suas grosserias todas porque você teve um dia ruim. E também quando eu deixei você descontar todas as suas frustrações em mim, mesmo eu não tendo nada a ver. Quando eu te fiz sorrir quando tu chorava por outra pessoa. Quando eu te defendi do mundo mesmo você estando completamente errada. Quando eu deixei de ficar irritado só porque você tava mal e precisando de alguém. Eu me declarei pra você tantas vezes, da minha maneira… Só você que não viu.
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Sobre prescrição médica

Sou como aqueles remédios que parecem maravilhosos quando são anunciados na TV. O apresentador lê parágrafos e mais parágrafos de como o remédio pode ajudar milhares de pessoas, mas bem no final do comercial ou em letras bem pequenas passando na tela diz: Os efeitos colaterais incluem dores de cabeça, diarreia e cansaço. No meu caso seria algo assim: Menino legal, inteligente e carismático… mas com dramas excessivos, surtos de carência enormes e de vez em quando ele pode nem querer olhar na sua cara.

Claudio Cabral

“Eu e você” não combina com abraços e amasso, nem com beijos e serenatas, muito menos com clichê romântico. Não espero de nós dois uma história linda de amor, com pássaros cantando, mimos e um final feliz. Sinceramente, isso não combina nem um pouco com “Eu e você”. Eu gosto mesmo é desse nosso jeito, despreocupado com o que vai vir. Nosso quarto bagunçado, nossas brigas de ciume, nossa geladeira lotada de porcaria, você andando pelado pela casa e eu brigando pelo fato de a qualquer momento poder chegar visita. Você sempre me irritando e sempre me fazendo rir quando tento ficar séria. Nossas partidas de truco, vídeo-game e até futebol. Nosso final de semana assistindo jogo, e sempre, meu time contra o seu, você me irritando dizendo que seu time é o melhor, e que sou sofredora. Você é tão eu, e eu sou tão você. Quem vê, diz que somos apenas melhores amigos, pois namorados não se tratam assim. Mas não, é só o nosso jeito de amar, nosso jeito torto, estranho, diferente, mas verdadeiro.”
Você é tão eu, e eu sou tão você. (promisse)
“Eu me mantinha em silêncio e parado. Não me mexia de jeito nenhum. Minhas lágrimas eram de vidro; quebravam quando caíam sobre o chão. Eu usava esses cacos para me defender do que mais me fizesse mal. Me moldava aos poucos como uma estatua de gelo coberta de lágrimas. Não queria vento nem espadas, apenas me proteger do ímpeto de amar. Ia colocando os pedaços de vidro, um a um sobre meu corpo. Foi quando percebi que passei a ver o mundo através deles de maneira retorcida e fragmentada. Sorte minha não enxergar a solidão bem ali, nítida e impenetrável.”
Wesley Gustavo & Elisa Bartlett
“Era tudo que eu queria nesse exato momento, chorar com você, olhando pra você, chorarmos juntos, por tudo, por mim, por nós, por esse mundo que não nos dá uma folga, e depois deixarmos nossos corpos boiando no oceano, no silêncio absoluto e em seguida navegar ao encontro da felicidade nesse mar que escorreu dos nossos olhos.”
Elisa Bartlett 
“Eu não sou mais como antes. Eu mudei. O traço ficou mais rude, mais tosco e o cenário mais real, menos imaginário. Levei um choque de desesperança, mortifiquei os poros no ato da escrita, maltratei a chicotadas os sentimentos mais puros do meu coração. A tinta está espessa, misturo nela a terra que se acumulou nos meus sapatos durante a caminhada até aqui. Rastros empilhados em pinceladas firmes e concentradas buscando a silhueta perfeita da mulher de seios errantes e face desintegrada. No fundo o horizonte do mar se desdobra indicando a rota para o infinito. Nas mãos, rosas despetaladas cobertas de sangue, um contraste catastrófico e fascinante. Os olhos vermelhos entupidos de álcool sobre a tela inquietos e desesperados choram o mundo desencantado e dilacerado. As pupilas dilatadas dilatam o coração. Dali não resta nada, o que restou se explodiu, se foi, foi derrotado pela dor que se calou por um segundo. A respiração para e o pensamento voa. Mergulho na minha própria obra, me viro do avesso na tentativa de sumir. Depois de tempos fiquei sabendo que encontraram a minha alma presa naquela tela recostada bem ali. Até hoje não sei se morri ou renasci. Eu só sei que não voltei mais ali.”
O desaparecimento de mim, Elisa Bartlett.  
Posso te fazer um pedido?
Eu queria te amar mais um dia. Só mais um dia, nada mais. Tô querendo sentir o teu cheiro, aquele paladar forte de vodka. Me debruçar nos teus ombros me desviando da tua respiração ofegante só pra te ver sorrindo daquele teu jeito provocador. Você se lembra? Teu corpo se aproximando do meu, dava pra ver o ar quente que nos envolvia e nos tirava do chão. Eu queria te amar só mais um dia. Ver a tua mão deslizando nos meus quadris até subir aquele frio nas costas do cerne pro céu. Nossos corpos se embolando até literalmente sermos um só, acoplados, completamente desejados. E numa viagem bêbada e maltrapilha chegarmos no destino, puro malte, excitação. Eu queria te amar e amar. Sentir de novo a exaustão de um amor surrado, malvado, safado que explora e maltrata e que de menina me faz tornar por alguns horas mulher. E depois de tudo, percebendo seus os olhos fixados em mim, simplesmente me despedir pra a terra do nunca, do nunca mais, sem nem mesmo olhar pra trás.”